Export Day 2018 destaca o quanto a prioridade da transformação digital do CIO brasileiro é distinta daquela de um CIO global

Enquanto nos principais mercados mundiais os investimentos programados pelos CIOs para este ano estão direcionados ao crescimento e ao aumento de market share – cliente, no Brasil o foco principal é a transformação digital, às vezes confundida com a informatização da empresa. Esses dados, apresentados por William Hoffert, diretor de desenvolvimento de negócios do Gartner na palestra de abertura do Export Day 2018, fazem parte do estudo “A agenda do CIO para 2018”. Realizado pela consultoria, ele ouviu 3.160 executivos de 98 países responsáveis pela administração de um budget total de US$ 277 bilhões para investimentos em TI.

“Há tempos os CIOs brasileiros são pressionados a fazer mais com menos. Anos de contenção retardaram o avanço da TI no país, principalmente nas grandes empresas, mas a transformação digital tornou-se um imperativo comercial e é preciso tirar esses anos de atraso de alguma forma” disse William Hoffert.

O Export Day, promovido ontem (26) em São Paulo pela Softex e pela Apex-Brasil, reuniu mais de 150 pessoas interessadas em levar seus negócios para além das fronteiras nacionais. Este ano, o encontro analisou de que forma o cliente pode colaborar para a expansão global das empresas de TI brasileiras.

Foi exatamente o que ocorreu com a Navita, especializada em serviços gerenciados de mobilidade e telecomunicações, um dos cases destacados durante o Export Day. “A parceria com a Telefônica nos permitiu promover melhorias no produto e nos abriu oportunidades para fecharmos acordos com clientes na Austrália, Oriente Médio, Europa, Estados Unidos e países da América Latina”, disse Roberto Dariva, presidente da Navita.

“O Export Day surgiu para ser um dia dedicado à discussão de estratégias de internacionalização. Nesta edição, entretanto, decidimos fazer isso focando na agendado CIO, com uma visão da demanda local face às tendências globais de headquarters de grandes corporações. Essa trilha será seguida ao longo de todo este ano”, destacou Guilherme Amorim, gestor do Projeto Setorial Softex.

No espaço da programação dedicado à apresentação de casos de sucesso de internacionalização nos segmentos de telecom, saúde, varejo e fintech foram também destacadas, além da Navita, as experiências da Ícaro Tech, MV, Propz e BRQ, que acaba de fazer o spin-off da Thoruss, startup especializada em soluções para a plataforma blockchain. Para dialogar com esses cases, o painel CIOs trouxe representantes da Ericsson, SulAmérica, PepsiCo e Bradesco que, com intermediação da TGT Consult, debateram as possibilidades de inovação aberta junto a fornecedores de porte médio e startups.

Entretanto, a, expansão global demanda capital para investimento e por isso o Export Day reservou um painel especial para explicar como e quando captar recursos junto a fundos de investimento e instituições financeiras. Ele contou com as participações de Thiago Ferreira, gerente de Comércio Exterior da BNDES; João Pirola, diretor de investimentos da Inseed; Paulo Caputo, sócio-fundador da Oria Capital; e Marcelo Vitali, sócio-diretor da ORBIZ, parceira da Imprimatur Capital baseada em Londres.

“Se antes, no momento do estudo do aporte, analisávamos a jornada do empreendimento, a composição do time, o posicionamento de mercado, os diferenciais competitivos e o comprometimento do empreendedor, hoje nossas teses de investimento avaliam também o viés exportador da empresa que, após a crise econômica, passou a ser um diferencial e até mesmo uma necessidade”, ponderou João Pirola, diretor de investimentos da Inseed.

Outro aspecto relevante para o sucesso global de uma organização é a inovação e a criação parcerias adequadas que podem impulsionar o sucesso de uma organização no mercado externo, mas a sua sobrevivência no ambiente local. Foi o que abordou Mauricio Costa, diretor do HUB55, que representa a Universidade de Yale no Brasil e o programa Innovation Boost.

Segundo Costa, tecnologias como blockchain e inteligência artificial são o caminho obrigatório para negócios que querem se internacionalizar. “As empresas brasileiras são desafiadas a ser competitivas diariamente, mesmo com impostos altos e complexos, regras nem sempre claras, cultura de negócios baseada no ‘jeitinho’ e economia altamente volátil. Os negócios no exterior são um grande desafio, porém, com retorno diversificado, principalmente com o uso de modernas tecnologias”, explicou o executivo, que é mestre em Management of Technology pelo Massachusetts Institute of Tecnology (MIT).

A 5ª edição do Export Day marcou ainda o kick-off do International Way, uma boutique de soluções de baixo custo e atalhos construídos pela Softex para auxiliar o processo de internacionalização de forma mais ágil, enxuta e eficiente.

Na oportunidade, foram lançados os trabalhos do MeetUp CIO – para aproximação entre empresas fornecedoras de soluções, investidores e CIOs com demandas alinhadas a tendências globais – e apresentadas ferramentas de apoio para soft landing em mercados internacionais. Trata-se de um arcabouço de preparação oferecido pela Softex para empresas de TI na prospecção de clientes, de novos mercados e de potenciais investidores.

Segundo dados da Softex, as empresas de software e serviços de TI exportaram cerca de R$ 3,7 bilhões no ano passado e as 300 integrantes do Projeto Setorial Brasil IT+ colaboraram com a expressiva quantia de R$ 1,5 bilhão para a balança comercial do país.